FUTEBOL URUGUAYO:

'' É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões de uruguayos. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguay foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

O futebol uruguayo é o melhor? Não. No mundo guiado pelas leis do lucro, onde o melhor é quem ganha mais, eu quero ser o pior. Não poderíamos sequer cometer o desagradável pecado da arrogância. Seria ridículo para um país pequeno como o nosso. Não somos importantes, o que é bom. Neste mundo de compra e venda, se você é muito importante vira mercadoria. Está bom assim.

Como explicar Uruguay?.... Somos um pouco inexplicáveis. Aí é que está a graça".

EDUARDO GALEANO - Escritor

sábado

JOGADOR URUGUAIO ISABELINO GRADÍN: O REI DO FUTEBOL! O ATLETA DO SÉCULO XX !


ISABELINO GRADÍN

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Isabelino Gradin was also part of the Uruguayan winning team of the 1916 and 1917 South American Championship. He was also a four-time South American athletics champion in the 400 and 200 metres sprint.






Conta-se que quando em 1916, na primeira Copa América da história, o Uruguai venceu o Chile por 4-0, os chilenos protestaram o jogo porque os uruguaios tinham alinhado dois africanos. Eram os negros Gradín e Delgado, bisnetos de escravos, mas que, filhos de emigrantes, já tinham nascido na América do Sul. Nesse tempo, o Uruguai era o único país do mundo que alinhava jogadores negros na sua selecção (e não necessitavam usar pó-de-arroz para esconder a negritude). De todos, a lenda adoptou Gradín, que se estreou no Peñarol em 1915, como o grande driblador, um saltimbanco malabarista veloz como uma gazela, que fora também campeão sul americano dos 400 metros. Fez parte de uma fabuloso ataque com Campolo, Chery e Piendibene que sempre que o via entrar na área em corrida com a bola, saia do caminho e só dizia: Por favor, entra Isabelino... Gradín tinha sempre a cara de quem comera o pão duro de ontem. Fisicamente era um monte de ossos, perfil de velocista, que inspirou o poeta peruano Juan Parra del Riego, a dedicar-lhe um poema, intitulado Pilirritimo al jugador de fútbol, onde a certo ponto se pode ler: "Passas um, dois, três.. quatro... sete jogadores... A bola ferve num ruído seco e surdo de metralha, se revolve numa epilepsia de cores campeão, e já estás frente á área, com o peito... a alma... o pé... e és remate que numa tarde azul explode c omo um cálido balázio que leva a bola até á rede. Palomares! Palomares! Dos cálidos aplausos populares... Gradín, embolo, música, bisturi, tubarão Gradín! Rouba o relâmpago do teu corpo incandescente que hoje me rompeu em mil cometas de uma louca elevação".





Segundo o jornalista Mario Filho, em seu precioso livro "O Negro no Futebol Brasileiro", no momento em que futebol brasileiro quando começou a dar oportunidade ao ingresso de jogadores negros, a crônica especializada sempre aludia à figura de Gradín: depois do aparecimento do inolvidável ponteiro direito - Isabelino Gradín - houve uma praga de Gradins no BrasilProva irrefutável de que a sua arte futebolística transcendeu o pequenino Uruguai, e fez história no gigantesco Brasil.






Negros só foram aceitos, a princípio, no Internacional de Porto Alegre (não por acaso vizinho do Uruguay) que, com um time misto, criou a primeira revolução futebolística no estado, criando
o mítico 
Rolo Compressor. O preconceito racial do Grêmio, por exemplo, só acabaria em 4 de março de 1952, com Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha, contratado pelo time tricolor. Até então ídolo da torcida colorada e reconhecido como um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, apresentou-se na Baixada como primeiro reforço negro do clube, depois de fazer
fama nos gramados do Inter e do Vasco da Gama.
No começo, futebol era um esporte classudo. Só os bem-nascidos tinham acesso a ele. Coisa de inglês. Negros e mestiços (ou
creoles) só conseguiram ocupar seus espaços graças aos embranquecimentos artificiais. Foi o pó-de-arroz usado pelos jogadores mulatos que deu nome à torcida do Flu. Carlos Alberto, tricolor, usava o produto no rosto para camuflar-se. O lendário Friedenreich alisava o cabelo. Obstinado, Robson era “pó-de-arroz”. Crivado de olhares preconceituosos, uma vez ele disse: 
"Eu já fui preto e sei o que é isso”.