FUTEBOL URUGUAYO:

'' É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões de uruguayos. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguay foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

O futebol uruguayo é o melhor? Não. No mundo guiado pelas leis do lucro, onde o melhor é quem ganha mais, eu quero ser o pior. Não poderíamos sequer cometer o desagradável pecado da arrogância. Seria ridículo para um país pequeno como o nosso. Não somos importantes, o que é bom. Neste mundo de compra e venda, se você é muito importante vira mercadoria. Está bom assim.

Como explicar Uruguay?.... Somos um pouco inexplicáveis. Aí é que está a graça".

EDUARDO GALEANO - Escritor

domingo

SISTEMAS TÁTICOS


http://footballsince1916.blogspot.com.br/2012/05/blog-post_4086.html

Autor: Eduardo Cecconi

INTRODUÇÃO
Embora não seja uma guerra, o futebol é o confronto entre duas nações representadas pelos seus “guerreiros” no campo. Por isso, mesmo sendo um esporte, ele adapta o conceito de tática utilizado nas guerras: tática é a arte de dispor e ordenar tropas para combate.

Restringindo-se agora apenas ao futebol, dá para acrescentar outro conceito. Como as equipes são compostas por pelo menos três setores – defesa, meio-campo e ataque – é preciso aplicar um sistema, responsável pela coordenação das partes entre si, transformando o que poderia ser um emaranhado de 11 jogadores em uma estrutura organizada.

Para isso, a partir da década de 1930, o futebol passou a evoluir com a criação de diversos sistemas táticos, responsáveis pela organização das equipes.

TÁTICA NO FUTEBOL
É preciso diferenciar três aspectos que contribuem para a execução do sistema tático adotado pela equipe. Existem três tipos de táticas, e todas elas devem ser levadas em consideração pelo treinador de futebol.
Tática Individual: é a função desempenhada pelo jogador. Dentro da proposta coletiva, o técnico precisa estabelecer de maneira clara e eficiente o papel de cada um. Envolve as orientações sobre a movimentação do jogador, a postura ofensiva e a postura defensiva.
Tática de grupo: é o planejamento dirigido a um setor específico. Envolve as atribuições de cobertura, apoio à marcação, linhas de passe e triangulações, ocupação e abertura de espaços. Exemplo: tática de grupo para defesa e ataque no lado direito do campo, envolvendo o lateral-direito, o primeiro volante e o meia-articulador. Conforme suas táticas individuais, todos precisam saber como auxiliar uns aos outros na marcação, e como se movimentar organizadamente nas investidas de ataque.
Tática coletiva: é o planejamento adotado para todo o time, aquele “dos números”, responsável por interligar e coordenar as táticas de grupo. Mas o sucesso da tática coletiva depende da maneira como o treinador define as funções de cada jogador (táticas individuais) e a movimentação ordenada de cada setor (táticas de grupo). Apenas definir o sistema tático, sem o cuidado de organizar as partes e as individualidades, não é suficiente.


En español


Muchas veces se confunden los términos de estrategia y de táctica en el fútbol, empleándose como un mismo concepto. Sin embargo son dos cosas radicalmente diferentes. La táctica se asocia con un posicionamiento, formación, siendo básicamente nociones estáticas. El 4-3-3, el 5-4-1 o el 4-4-2 son ejemplos de tácticas en el fútbol. La estrategia es el complemento de la táctica, es decir cómo se van a mover los jugadores o cómo van a reaccionar ante unas situaciones específicas. Este es un concepto dinámico que engloba los movimientos individuales y colectivos y la filosofía de juego.
 
En este artículo vamos a tratar las dos tendencias principales estratégicas que se emplean en la mayoría de sistemas actualmente. Una es más ambiciosa, apuesta por el juego bonito y el control del balón. La otra es más prudente, más rigurosa y se basa en aprovechar los fallos del adversario. Hablaremos de estrategia ofensiva y  defensiva, no obstante ambas comparten el mismo objetivo: Ganar.

 

ESTRATÉGIA
A estratégia não pode ser confundida com o sistema tático. Ela na verdade é a maneira como vai se comportar a equipe em campo. Independentemente do sistema tático, o time pode adotar uma postura mais ofensiva ou mais defensiva. Com o mesmo sistema tático, um time pode modificar a estratégia dentro de um jogo – invertendo jogadores de posição, por exemplo, ou alterando o sistema de marcação.

Mais ligada às táticas individual e de grupo, a estratégia leva em consideração a movimentação dos jogadores na marcação (cobertura, antecipação) e na articulação (antecipação, criação de espaços, formação de linhas de passe), e a característica dos atletas. Times que se enfrentam com o mesmo esquema tático podem ter estratégias diferentes.

Por isso, é importante que os jogadores tenham capacidade para compreender as atribuições de cada função dentro da tática coletiva, assimilando mais de uma tática individual. Isso oferece a oportunidade para que o treinador altere a estratégia com a bola rolando, sem a necessidade de fazer substituições, apenas modificando a função dos jogadores.

ZONAS DE MARCAÇÃO
A definição do sistema de marcação é fundamental dentro da estratégia de cada equipe. Mas também é preciso levar em consideração o preparo físico e a movimentação do adversário na definição do sistema de marcação. De nada adiantaria, por exemplo, definir uma marcação-pressão se a equipe não tem condições físicas de agüentar essa exigência por muito tempo.
            Zona: é a marcação utilizada principalmente nos clubes da Inglaterra. Delimitada a zona de atuação de cada jogador (tática individual), ele vai dar combate nos adversários que por ali transitarem. Exige muita visão periférica para antecipar as jogadas e fazer a abordagem correta no momento em que for exigido.
            Pressão: adiantam-se todos os setores (tática de grupo) e a marcação é feita no campo do adversário. Os atacantes entram em combate direto com os zagueiros para induzir o adversário à ligação direta.
            Meia-pressão: a defesa e o meio-campo adiantam-se, mas a pressão é exercida apenas pelos atacantes, na saída de bola dos adversários.
            Individual: um jogador marca apenas um adversário, acompanhando o atleta em qualquer parte do campo. Utilizada para anular algum jogador diferenciado de criação ou finalização.
            Mista: é diferenciada por setor (tática de grupo). Pode ser adotada pressão no ataque, a zona no meio e a individual na defesa, por exemplo.

En español:


La estrategia ofensiva 
La estrategia ofensiva se basa en la posesión de la pelota; busca tener el control del balón (siendo esta su primera manera de defender) para cansar al rival y ser el dueño de la construcción del ataque. La rapidez, la precipitación y los riesgos ofensivos pasan a un segundo plano menos cuando se está en frente del arco. En ese instante se buscara sobrepasar el número de defensores mediante desmarques y algún pase entre la línea defensiva por parte de los medios creativos, aumentando de esta manera no solo las opciones de gol sino también  el riesgo de contraataque en caso de pérdida de balón.
 
El juego se creará mediante pases cortos y seguros que en algunos casos se efectuarán hacia atrás o devolviendo al mismo jugador que dio el pase previo. Se juega con paciencia la pelota buscando el fallo del rival y ensanchando el campo forzando a la defensa adversaria a estar continuamente en movimiento para generar espacios y aprovechar algún fallo de cobertura.
 
La idea principal es meterse entre la línea de medios y la defensa contrarias abriendo el juego a las bandas para buscar las entradas al área desde ahí. Este sistema necesita un jugador en punta que pivote en ataque, atlético y a ser posible (aunque no indispensable) buen cabeceador.  El equipo debe evitar en todo lo posible los errores individuales (pases fallados, duelos perdidos, etc.) que desemboquen en pérdidas de balón para evitar los contraataques.
 

Cuando un equipo que emplea una estrategia ofensiva pierde el esférico, la recuperación de balón se inicia con una presión de los atacantes y los medios creativos. El objetivo es recuperar el balón lo más arriba posible evitando la construcción de juego del adversario y obteniendo nuevamente una posibilidad de creación propia con más espacios en la defensa rival.
La estrategia defensiva 
La estrategia defensiva cede el balón y la iniciativa de juego al rival; su objetivo es reaccionar rápido para aprovechar la perdida de balón y el juego de transición rápido y efectivo.
 
Esta manera de jugar no se basa únicamente en esperar al rival y sus fallos; es un concepto distinto en el que los defensores (la gran mayoría del equipo, por no decir el equipo entero) van a provocar la pérdida de la pelota del adversario. Las interrupciones en la construcción del juego rival se realizan mediante múltiples acciones. Se puede interrumpir el juego mediante faltas evitando la creación y fomentando la continuidad y el encadenamiento de las acciones rivales, o realizando una fuerte presión de manera individual o colectiva sobre el jugador que conduce el balón (en especial sobre los más creativos o desequilibrantes) para evitar el juego de pases y provocar las intercepciones de la pelota.
 
El equipo busca neutralizar la zona de construcción rival juntando los medios y los defensores. Suelen ser equipos compactos que juegan en bloque intentando siempre tener el balón por delante de la media. Cuando se produce la recuperación del balón, el equipo se lanza rápidamente hacia el ataque buscando un juego directo en profundidad, vertical y no tanto en anchura.
 
La decisión de una u otra estrategia depende (al igual que la táctica) del entrenador aunque está condicionada por los perfiles con los que cuenta entre su plantilla. Un sistema ofensivo necesita extremos, creadores y un delantero de potencia física. Una filosofía defensiva debe contar con uno o dos medios defensivos muy eficaces y atacantes rápidos.
 
Sin embargo la selección de una estrategia u otra también se verá afectada por las necesidades de juego. Por ejemplo si se es el equipo que juega en casa predominará la actitud ofensiva, o si se va por debajo en el marcador; sin embargo si se juega contra un equipo teóricamente muy superior se buscará emplear una estrategia más bien defensiva.
SISTEMAS TÁTICOS
A evolução das regras e do preparo físico levou os treinadores a criar novos sistemas de acordo com a exigência de cada época. No início, o futebol se resumia a um grande número de atletas no ataque. A estratégia era a ligação direta. Mas, com a regra do impedimento, os times precisaram se organizar.

O enfoque passou do ataque para o meio, onde a bola precisaria permanecer por maior tempo em busca da articulação. Cada sistema, entretanto, surge como oposição ao antecessor, exatamente pela necessidade de vencê-lo.

A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos. Os demais são considerados variações destes já existentes:

W.M – Arsenal - 1925
É o primeiro sistema tático identificado na história do futebol. Tem três zagueiros em linha, dois volantes, dois meias de ligação e três atacantes. Fez tanto sucesso que todos passaram a usá-lo, “espelhando” os confrontos. Quem quisesse vencer teria de aumentar o número de atacantes.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.

4-2-4 (utilizado pelo Brasil nas Copas de 58 e 62)
Com o objetivo de criar dificuldades para o W.M, surgiu o 4-2-4. Com relação ao antecessor, um volante virou o 4º zagueiro, e um meia virou o 4º atacante. E no confronto com o W.M, ficaram 4 zagueiros para marcar 3 atacantes, e 4 atacantes contra três zagueiros.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “quarto zagueiro”, utilizado até hoje.


4-2-4


4-3-3 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1970)
           
A simplificação do 4-2-4 reduziu a permanência da bola no meio-campo, resumindo-se o jogo à ligação direta. Aos poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do ataque e da defesa para o meio-campo. E assim, o 4-3-3 é o primeiro sistema que busca aumentar a posse de bola no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias para dois volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de ataque ou defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e movimentação dos atacantes). Hoje, por exemplo, o Barcelona utiliza um 4-3-3 com laterais quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação que jogam em diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam para o fundo e faziam cruzamentos. É o mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente.


4-3-3

4-4-2 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1994)
Cada vez mais as atenções voltaram-se para o meio-campo. E então um dos atacantes passou para o setor de criação, eliminando a existência dos pontas. É um dos sistemas táticos que mais permite variações, dependendo da tática individual dos homens de meio e de ataque: variam o número de volantes e articuladores, o posicionamento de todos, e a característica dos atacantes. No meio, o desenho pode ser o quadrado, o losango, a linha, variando de um até quatro volantes. No ataque, também podem ser dois centroavantes fixos, ou dois atacantes de movimentação, ou então uma combinação entre o centroavante e o atacante.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.



4-4-2


3-5-2 (nascido na Itália)
Este é o esquema que mais sofre distorções. Nasceu na Itália com o conceito de líbero. O líbero (em italiano, “livre”), está originalmente localizado na defesa, mas é um jogador “livre” para se posicionar conforme as exigências da partida. Dentro do mesmo jogo pode estar atrás da linha de zagueiros – como homem da sobra, à frente deles – como volante, investir pelo meio ou pelas laterais, e até mesmo aparecer na área para concluir. Baresi é o maior exemplo de líbero bem sucedido pela inteligência com a qual se posicionava em campo, sempre atento à hora de modificar a própria posição.

Mas no Brasil o sistema é mal-compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo.

Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga.

Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.

3-5-2



3-4-3 (Dinamarca 2002/Ájax 1995))
É um sistema quase misto, que se utiliza dos conceitos de defesa do 3-5-2 (líbero, cobertura e posicionamento) de meio-campo do 4-4-2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e de ataque do 4-3-3 (retorno do 3º atacante).

3-4-3

Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.

O FUTURO
O futebol está cada vez mais dependente da força física e da velocidade dos jogadores. E isso vai se refletir nas opções relativas ao sistema tático – incluindo as táticas coletiva, de grupo e individual, à estratégia e ao sistema de marcação.

Dentro das estratégias, haverá cada vez mais variação de posicionamento tático dentro da mesma partida. E por isso o jogador precisará ser cada vez mais inteligente e de raciocínio rápido.

Essas variações táticas vão exigir jogadores capazes de entender a necessidade da partida, com inteligência para cumprir mais de uma função tática individual e de assimilar diversos sistemas e estratégias, tanto de grupo como coletivas. E assim esse jogador também terá autonomia para tomar decisões em campo.



O TREINADOR
Dados todos estes argumentos, fica muito claro porque sou tão crítico com os treinadores. Muitos defendem que o poder de decisão está com os jogadores, que é a qualidade deles quem determina os vitoriosos, mas eu discordo. Os méritos e as cobranças devem sim serem mais direcionadas ao treinador.

Neste pequeno resumo de apenas sete páginas expus uma diversidade de atribuições do treinador, mesmo as relacionadas ao desempenho do atleta. Por muitas vezes, um jogador apresenta-se mal porque não tem uma tática individual clara, ou pior: foi escalado para cumprir uma função equivocada.

É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia. É o treinador quem faz o time jogar, e quando o técnico é limitado, não tem inteligência para definir táticas individuais coerentes com as táticas de grupo, integradas à tática coletiva e de acordo com a melhor estratégia, o time torna-se um emaranhado de atletas chocando-se dentro de campo como baratas desgovernadas.